0 LIVRO DA SAUDADE
Hoje abrindo o livro da saudade, folheando as páginas sem nenhuma pretensão.
Encontro as páginas das boas lembranças, mas não tem foto, nem desenhos.
Apenas nomes, enquanto pauso a leitura em um nome, surge na mente o sorriso, uma frase, a voz, a memória me leva ao passado.
E logo diante dos meus olhos, surge a imagem daquele que se foi, ou daquela que nos deixou.
O tempo não foi capaz de apagar, nem os anos, não teve forças de anular o que foi feito.
Em cada nome que surge, as lembranças voltam, parecendo aquele momento tão real, embora sei que são somente na minha memória.
Agora estou abrindo o livro da saudade para você, estou folheando, pronto, encontramos as páginas das boas lembranças, queria que através dessa reflexão, que viva esse momento, olhe para os nomes, como disse, as imagens aparecerão na sua memória.
Existem seres, pessoas, que seu espaço jamais será preenchido, sua memória jamais apagada, porque deixaram de viver no físico, só isso, e embora o tempo se passou, vivem em nossos corações.
A saudade insiste em bater em nossa porta, e de nossos olhos arrancar lágrimas, e logo surge em meio as lembranças, um momento vivido e jamais esquecido.
É verdade que uma saudade pode ficar adormecida, mas não esquecida, só precisava de um gatilho, uma palavra, ou o livro que agora estamos olhando para ele, e nomes em uma lista vão surgindo.
Em nossa audácia de olhar para o passado, lembramos de alguém e logo nossos lábios confessa: esse ou essa faz muita falta, que saudade, que tempo bom foi aquele, como éramos felizes, quantas aventuras tivemos e quantas travessuras também.
Em outro nome ficamos perguntando, como se pudesse responder: por que você se foi? Por que desistiu de tudo? Devia ter me contado antes de tomar essa decisão, não entendo porque tão cedo partiu, poxa podia pelo menos se despedir, dar o último abraço. Deixou um vazio enorme e inúmeras perguntas sem resposta.
Mas em outro nome que aparece na lista daquela página, olhamos e falamos, essa pessoa foi guerreiro, aguerrido lutou até ao fim, enquanto tinha saúde trabalhou e lutou não só por ela, mas pelos seus semelhantes que fez muito mais, do que para si, deixou um legado, uma história para ser contada e copiada.
Aqui vai um mistério, para alguns folheando este livro vai surgir uma página meio apagada, mas para outro membro da família a página vai estar muito viva, mas qual a razão daquela pessoa enxergar tão apagada, a resposta é simples, preencheu as lacunas vazias, o espaço deixado, de alguma forma tentou apagar da sua memória ou da sua história, escreveu outro nome no lugar daquele que se foi.
Que pena que você abriu a página errada, as boas lembranças vão surgir, vai perceber que as linhas vão ficando mais visíveis, logo se não virar a página, ficara viva, nítida.
Deixo em suas mãos o livro da saudade, existem muitas páginas, algumas delas seria bom que não folheasse, pode ser que lembranças não tão boas retornem, isso é apenas um conselho.
Finalizo essa reflexão: quem não tem saudade, não teve passado, quem não tem lembranças é porque não vive no presente.
Um dia o meu nome, o seu nome também vai estar nesse livro quando alguém no futuro o abrir, espero que encontre o nosso nome nas páginas da boa lembrança.
Recordar faz parte da vida, uma essência da nossa existência, as lembranças são um bálsamo, um alívio nas horas de terror, e a saudade nos faz refletir e seguir em frente.
(Claudio Alves de Oliveira)
O livro da saudade

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