sábado, 16 de maio de 2026

A CANÇÃO DO PASSADO (Música Autoral)


Música autoral.




A CANÇÃO DO PASSADO




Era um dia normal naquela prisão.

Uma melodia no som ambiente inicia.

Alguém chora no meio dos detentos.

Aquele ato, chama atenção de todos.

Os detentos se entreolham sem acreditar.

Jamais viram aquele homem chorar.



Ele fez sinal com a mão e falou.

Essa música me levou ao passado.

Não conhecem a minha história.

Mas depois que a ouvirem.

Vão entender essas lágrimas.

E a dor que eu sinto no meu peito.





Não sou esse monstro, de que falam.

Nenhum inocente foi tragado.

Meu nome eu enterrei no passado.

Deixei de existir, eu precisava.

Ser um ninguém, para continuar.

E cumprir o que jurei para eles.

A justiça que foi negada.


Quando os combates acabaram, eu voltei.

Mas o que encontrei, me transformou.

Soldados inimigos invadiram minhas terras.

E mataram tudo o que eu tinha.

A cena que eu vi me fez chorar, como agora.

Minha esposa e filhos sem vida.

E dentro da casa tocava essa melodia.



Quando os enterrei, coloquei junto.

Todos os meus documentos, perdi a identidade.

E ali de joelhos eu prometi justiça.

Se ela falhasse, faria do meu jeito.

Dois daqueles soldados foram presos.

Por falta de prova, foram absolvidos.

E zombaram da minha dor, sorrindo.



Voltei para os meus, e de joelhos.

Não prometi justiça, eu jurei vingança.

O resto está na história e nos jornais.

Lutei por anos para esquecer.

Mas essa música senhores.

Mexeu comigo, não se espante.

Com minhas lágrimas.

Espero que meu choro.

Não os incomode.

Nem a minha dor os atrapalhem.


Não feri nenhum inocente.

Mas, cacei cada um deles.

Alguns até imploraram pela vida.

Não me importei, não me comoveu.

Eles tiraram a vida de crianças.

E a justiça não os condenou.

Como tinha prometido, fiz do meu jeito.



Quando o último tombou, me entreguei.

Confessei o que tinha feito.

E pedi para passar aqui na prisão.

O resto de vida que eu tenho.

Não consigo voltar, sei que vou errar.

Não quero voltar a ser um monstro.


Não sou esse monstro, de que falam.

Nenhum inocente foi tragado.

Meu nome eu enterrei no passado.

Deixei de existir, eu precisava.

Ser um ninguém, para continuar.

E cumprir o que jurei para eles.

A justiça que foi negada.




(Claudio Alves de Oliveira)



 

terça-feira, 12 de maio de 2026

NOS CAMINHOS DA SAUDADE (Música Autoral)


Música Autoral:



Ficha Técnica do Lançamento

NOS CAMINHOS DA SAUDADE


Andando no caminho da saudade.

Numa tentativa de esquecer o que passou.

Ah! Se eu pudesse voltar no passado.

Faria tudo diferente.


Nas trilhas da solidão.

Procuro uma forma de olvidar.

Ah! Se eu pudesse encontrar.

Razões e motivos para esquecer.


Imaginei-me caminhando para o futuro.

Mas, agora me surpreendo.

Ah! Estou voltando ao passado.

E o presente me devora.


Entre as pedras, os espinhos.

Reencontro as árvores.

Ah! Que o seu balanço.

Enche-me o peito de saudade.


Logo o vento, me faz lembrar.

Como uma canção que se eterniza.

Ah! Consigo ouvir a sua voz.

Que o vento me trouxe de tão distante.



De tão longe eu vim.

Para te apagar da memória.

Ah! Mas uma flor guardou o seu perfume.

Aquela ponte, sabe o seu peso.


E a velha porteira ainda sussurra seu nome.

Aquela montanha tão íngreme.

Ah! Me disse que lembra do seu sussurrar.

Quando o ar resistia a entrar pelas narinas.


O tempo tentou desfazer nossa história.

Mas, ele não apagou o passado.

Ah! Ainda é possível ver no rio.

A sua silhueta refletindo.


Eu preciso voltar, as lembranças me corroem.

Mas o caminho parece tão forte.

Ah! As memórias parecem me acorrentar.

Eu luto agora contra o passado.


Tento fugir por outro caminho.

De repente não encontro a saída.

Ah! Saudade devastadora.

Que me faz lembrar e recordar.



Vou tentar ir para mais distante.

Num lugar em que a solidão me conforta.

Ah! Preciso confessar antes de partir.

A sua ausência me fere e machuca.


Nos caminhos da saudade.

Não encontrei razões e motivos.

Para te esquecer.

(Claudio Alves de Oliveira)

quarta-feira, 6 de maio de 2026

RESISTIR (Música Autoral)


 Música autoral: 




RESISTIR






Resistir é tudo o que nos resta.

É melhor nem olhar para trás.

As dificuldades foram muitas.

Horas amargas e a decepção.





Tempos de aflição e angustias.

Parece que somos odiados.

Perseguidos, acusados e caluniados.

Fomos esquecidos e abandonados.




Não desista, precisa lutar.

Não se entregue.

Não pare de acreditar.

Nem deixe de caminhar.




As palavras fogem de nós.

A poesia se torna um lamento.

A inspiração não acontece.

E a motivação fica distante.




O desejo de viver é árduo.

Não enxergamos a beleza de tudo.

Nem no sol, na lua, nas estrelas.

Nas flores, nos rios e montanhas.




Não desista, precisa lutar.

Não se entregue.

Não pare de acreditar.

Nem deixe de caminhar.




Mesmo com pessoas ao redor.

Nos sentimos tão sozinhos.

Mesmo perto de tudo.

Parece que estamos distantes.




Mesmo falando nos sentimos calados.

Mesmo sorrindo nos sentimos chorando.

Mesmo alegres nos sentimos triste.

Mesmo vivo nos sentimos sem vida.




Sem explicação, não existe uma razão.

Estamos no deserto dentro de nós.

Chegamos a dizer que DEUS não existe.

Dias longos e noites intermináveis.




Não desista não pare de lutar.

Não se entregue, resista.

Não pare de acreditar.

Não deixe de caminhar.





O dia da alegria vai chegar.

Pode ser hoje, agora.

Feche a porta para a tristeza.

E mande embora a depressão.




Resistir é tudo o que temos.

Resistir é o que nos restou.

Resistir é o que sobrou.

Resista, resista, resista.


(Claudio Alves de Oliveira)

domingo, 3 de maio de 2026

A SENTENÇA (música autoral)


 Música autoral. 

 


 


 

 
 
  

A SENTENÇA




SR. Juiz me perdoa por interrompê-lo.

Mas eu preciso algumas palavras: falar.

Alguém tem um lápis papel: para anotar?

Não importa o tempo que na minha pena:

Acrescentar.



Por favor, quando na montanha passar.

Vai ver uma casinha de madeira e barro.

Lá na beira da estrada: um dia foi meu lar.

No tempo da inocência, uma vida tão singular.


Antes da sentença, ser declarada.

Eu preciso estes remorsos aliviar.

E essas letras levem para aquele lugar.

Talvez minha mãe ainda esteja lá.


Uma senhora sofrida e decepcionada.

Com seu único filho, esse que vos fala.

Porque um dia sai pra nunca mais voltar.

E por minha culpa, meu pai morreu em meu lugar.



Essa história é longa, então serei breve.

O fascínio pela cidade grande.

Me fez sair daquela casinha, meu lar.

Pequei o pouco que tinha e fui sonhar.



Mas a realidade bateu à porta.

E para sobreviver precisei roubar.

E para não morrer eu tive que matar.

E nas drogas e vícios eu fui parar.



Por causa de uma dívida minha.

Meu pai tentou negociar.

E daquele morro ele saiu sem vida.

Não tive coragem de voltar.



Por isso mãe, eu te peço perdão.

Não ouvi seus conselhos.

Quando falava de DEUS, não quis acreditar.

E rejeitei seus pedidos para: voltar.



Eu mereço muito mais que a prisão.

Fiz muitas famílias chorar.

E muitos jovens do caminho: se desviar.

Eu não mereço nenhuma compaixão.



Mãe: nunca mais vi a luz do luar.

Lembra das nossas conversas na varanda.

Da nossa casinha tão simples.

Que a lua resolveu testemunhar.



Sr. Juiz: peço ao advogado.

Não tente me inocentar.

Sou culpado, eu confesso ao juri.

Só precisava essas palavras falar.



Quando alguém for lá pra aquelas bandas.

E for subir a montanha: pare naquele lugar.

E deixe naquela casinha essa carta.

Leia para ela, bem devagar.

Eu sei minha mãe vai chorar.

Mas eu não posso mais voltar.


(Claudio Alves de Oliveira)