O TEMPO E A VIDA
Já deve ter ouvido falar do tempo, esse que controla a cada um dos seres humanos.
Nenhum dos habitantes do planeta Terra ultrapassa o limite colocado pelo tempo, na maioria das vezes existe uma certa determinação com variantes, 70 anos.
Mas isso é relativo, pois não se trata de uma regra seguida a rigor, é só um parâmetro, “depois dos 70 anos é só enfado e canseira”, mas 120 anos é uma regra, ninguém consegue ultrapassar com raras, exceções, porque depende do registro de nascimento.
Mas, olhando para o mundo hoje, tirando de fora as guerras, revoluções que ceifam vidas, sem se importar com a idade, a fome também ceifou vidas sem rótulo de tempo.
Alguns países não têm guerras, nem revoluções, nem a fome, nem eventos catastróficos naturais, mas existem as drogas, o crime que vicia e extermina, que também ceifa as vidas, e geralmente, são jovens, vidas em ascensão.
“Somente o tolo antecipa a sua partida”, a imprudência também é um fator importante, que não distingue aqueles parâmetros de idade, imagine um sujeito em um veículo transitando a 200 km/h em uma rodovia, e ocorre uma fatalidade, esse sujeito antecipou sua partida, não observou as regras básicas de uma rodovia.
E outros casos, de suicídio, devido à depressão, ou uma decepção muito grande que a pessoa não suportou, preferindo assim encerrar sua existência, mas dentro desse aspecto, existe o extremismo, o suicida que com sua ação, faz com que muitas pessoas morrem.
Os homens-bomba, os camicazes, mais recentes, sequestro de aeronaves com pessoas a bordo, para serem usadas como mísseis, sendo lançadas em prédios.
Mas hoje segundo a OMS, a maior causa mortis do mundo, são doenças cardíacas, essa também que não se importa com a idade. Outro dia, foi um atleta em plena atividade, desabou no gramado e nunca mais se levantou.
Outro dia, um cantor, enquanto entoava seus louvores gospel, também tombou no palco. A lista é grande, mas quem não se lembra de 2004, Serginho, jogador do São Caetano, 30 anos, tombou no gramado e uma hora depois deixou esse mundo. O ano passado foi um atleta do Nacional do Uruguai, Juan Iziquierdo, Marc-Vivien Foé, Maximiliano Patrick Ferreira, 21 anos, entre outros, e Miklos Feher também perdeu sua vida exercendo atividades físicas.
São alguns exemplos, que coloquei, não por serem famosos ou coisa assim, o fato é que foram registrados por câmeras, e uma multidão de testemunhas que presenciaram a cena, eram atletas, significa que eram pessoas saudáveis, praticavam esportes de alto nível, mas, ainda assim, foram vítimas do ataque cardíaco.
A possibilidade de uma pessoa que não pratica atividades físicas corre um risco ainda maior, e essas pessoas mencionadas, que perderam suas vidas, tinham alimentação adequada, medicina a favor, mas, ainda assim, o pior aconteceu.
Poderíamos justificar perdas porque a pessoa não procurou tratamento, e por essa razão perdeu sua vida aos 50 anos, 60 anos ou mais, mas olhamos para a lista, tem um jovem de 21 anos, esqueça isso, vamos partir do estabelecimento do tempo.
O tempo de cada um chegou, tirando os que se antecipam, as tragédias, nosso tempo, nossa hora chegou, é simples assim, não importa como estejamos, cheio de saúde, ou enfermo, no auge, ou no declínio.
Essa hora chega determinando o nosso tempo, conforme está escrito, quem estiver no telhado, não vai dar tempo de descer para pegar alguma coisa, ou quem estiver no campo, não vai conseguir voltar, estarão dois dormindo e um só vai acordar.
O nosso tempo, determinando o nosso fim, não vai esperar, uma retratação, uma segunda chance, ou resolver alguma pendência, ou um pedido de perdão para alguém que magoamos, vem e não importa onde estamos, ou como nos encontramos.
Se estamos numa festa com amigos, ou na rodovia, você viu os atletas em campo, pois é, quem imaginaria que alguém no auge da forma física, ou o outro na idade de ouro, perto da aposentadoria.
Essa reflexão tenta levar ao leitor, que não existe culpado quando perdemos alguém, temos que encarar como uma consequência da vida, podemos dizer que encerrou sua carreira, no caso de tolo, do suicida, que procurou, buscou, planejou sua partida. No caso do extremista, é um pouco complicado, porque se trata de um sacrifício, ele está perdendo sua vida por uma causa, mas o problema é as vítimas.
As suas ações provocam a morte de muitas pessoas, inocentes, não tem como dizer ou argumentar, todas as vidas perdidas por sua loucura, é óbvio que terá nas suas mãos todo o sangue que derramou, não poderá ser julgado mais pela justiça dos homens, mas da justiça Divina não poderá escapar.
É tão difícil falar disso, a partida de alguém, ainda que a pessoa se foi por causas naturais, ainda assim nos fere, ou a enfermidade que causou tanta dor, e que a partida foi um alívio, mas a dor da separação ainda é muito forte.
Quem diria que alguém seria assassinada devido a um celular que não quis ceder ao marginal, temos muitos casos de latrocínio seguido de morte no país, com certeza vai existir o culpado que será punido pela justiça.
Isso não vai substituir a perda, mesmo a justiça sendo feita no mais alto rigor da lei, não vai curar aquela ferida aberta, ainda que o assassino fosse levado a condenação da pena capital, nada disso substituiria aquela vida perdida devido a um objeto.
E a vingança, ou seja, justiça com as próprias mãos, é um sentimento que não pode invadir a alma das pessoas, algo que deve ser evitado a todo custo, apesar de toda a dor da perda, não justifica uma pessoa comum se transformar em uma assassina.
Nos voltamos à essência da reflexão e tentamos aceitar essas ocasiões como o tempo chegado, que determinou o fim de alguém, a forma que a pessoa vai encerrar a sua carreira apesar de não aceitarmos, não assimilarmos, se foi uma tragédia, uma catástrofe, um sinistro, um acidente aéreo, marítimo ou terrestre, um assassinato, sabemos que se trata de uma ferida que não tem remédio, mas o que nos resta é aceitar que o tempo fez o seu papel.
O tempo e a vida, caminham juntos, em um propósito que está além da nossa compreensão. Infelizmente, não temos todas as respostas que precisaríamos, algumas vivem mais de 100 anos, outras antes de nascer já partem, outros na juventude, na meia-idade, na adolescência, um recém-nascido.
(Claudio Alves de Oliveira)
O tempo e a vida


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