Era um dia normal naquela prisão.
Uma melodia no som ambiente inicia.
Alguém chora no meio dos detentos.
Aquele ato, chama atenção de todos.
Os detentos se entreolham sem acreditar.
Jamais viram aquele homem chorar.
Ele fez sinal com a mão e falou.
Essa música me levou ao passado.
Não conhecem a minha história.
Mas depois que a ouvirem.
Vão entender essas lágrimas.
E a dor que eu sinto no meu peito.
Não sou esse monstro, de que falam.
Nenhum inocente foi tragado.
Meu nome eu enterrei no passado.
Deixei de existir, eu precisava.
Ser um ninguém, para continuar.
E cumprir o que jurei para eles.
A justiça que foi negada.
Quando os combates acabaram, eu voltei.
Mas o que encontrei, me transformou.
Soldados inimigos invadiram minhas terras.
E mataram tudo o que eu tinha.
A cena que eu vi me fez chorar, como agora.
Minha esposa e filhos sem vida.
E dentro da casa tocava essa melodia.
Quando os enterrei, coloquei junto.
Todos os meus documentos, perdi a identidade.
E ali de joelhos eu prometi justiça.
Se ela falhasse, faria do meu jeito.
Dois daqueles soldados foram presos.
Por falta de prova, foram absolvidos.
E zombaram da minha dor, sorrindo.
Voltei para os meus, e de joelhos.
Não prometi justiça, eu jurei vingança.
O resto está na história e nos jornais.
Lutei por anos para esquecer.
Mas essa música senhores.
Mexeu comigo, não se espante.
Com minhas lágrimas.
Espero que meu choro.
Não os incomode.
Nem a minha dor os atrapalhem.
Não feri nenhum inocente.
Mas, cacei cada um deles.
Alguns até imploraram pela vida.
Não me importei, não me comoveu.
Eles tiraram a vida de crianças.
E a justiça não os condenou.
Como tinha prometido, fiz do meu jeito.
Quando o último tombou, me entreguei.
Confessei o que tinha feito.
E pedi para passar aqui na prisão.
O resto de vida que eu tenho.
Não consigo voltar, sei que vou errar.
Não quero voltar a ser um monstro.
Não sou esse monstro, de que falam.
Nenhum inocente foi tragado.
Meu nome eu enterrei no passado.
Deixei de existir, eu precisava.
Ser um ninguém, para continuar.
E cumprir o que jurei para eles.
A justiça que foi negada.


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