Música autoral.
SR. Juiz me perdoa por interrompê-lo.
Mas eu preciso algumas palavras: falar.
Alguém tem um lápis papel: para anotar?
Não importa o tempo que na minha pena:
Acrescentar.
Por favor, quando na montanha passar.
Vai ver uma casinha de madeira e barro.
Lá na beira da estrada: um dia foi meu lar.
No tempo da inocência, uma vida tão singular.
Antes da sentença, ser declarada.
Eu preciso estes remorsos aliviar.
E essas letras levem para aquele lugar.
Talvez minha mãe ainda esteja lá.
Uma senhora sofrida e decepcionada.
Com seu único filho, esse que vos fala.
Porque um dia sai pra nunca mais voltar.
E por minha culpa, meu pai morreu em meu lugar.
Essa história é longa, então serei breve.
O fascínio pela cidade grande.
Me fez sair daquela casinha, meu lar.
Pequei o pouco que tinha e fui sonhar.
Mas a realidade bateu à porta.
E para sobreviver precisei roubar.
E para não morrer eu tive que matar.
E nas drogas e vícios eu fui parar.
Por causa de uma dívida minha.
Meu pai tentou negociar.
E daquele morro ele saiu sem vida.
Não tive coragem de voltar.
Por isso mãe, eu te peço perdão.
Não ouvi seus conselhos.
Quando falava de DEUS, não quis acreditar.
E rejeitei seus pedidos para: voltar.
Eu mereço muito mais que a prisão.
Fiz muitas famílias chorar.
E muitos jovens do caminho: se desviar.
Eu não mereço nenhuma compaixão.
Mãe: nunca mais vi a luz do luar.
Lembra das nossas conversas na varanda.
Da nossa casinha tão simples.
Que a lua resolveu testemunhar.
Sr. Juiz: peço ao advogado.
Não tente me inocentar.
Sou culpado, eu confesso ao juri.
Só precisava essas palavras falar.
Quando alguém for lá pra aquelas bandas.
E for subir a montanha: pare naquele lugar.
E deixe naquela casinha essa carta.
Leia para ela, bem devagar.
Eu sei minha mãe vai chorar.
Mas eu não posso mais voltar.
(Claudio Alves de Oliveira)


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