domingo, 3 de maio de 2026

A SENTENÇA (música autoral)


 Música autoral. 

 


 


 

 
 
  

A SENTENÇA




SR. Juiz me perdoa por interrompê-lo.

Mas eu preciso algumas palavras: falar.

Alguém tem um lápis papel: para anotar?

Não importa o tempo que na minha pena:

Acrescentar.



Por favor, quando na montanha passar.

Vai ver uma casinha de madeira e barro.

Lá na beira da estrada: um dia foi meu lar.

No tempo da inocência, uma vida tão singular.


Antes da sentença, ser declarada.

Eu preciso estes remorsos aliviar.

E essas letras levem para aquele lugar.

Talvez minha mãe ainda esteja lá.


Uma senhora sofrida e decepcionada.

Com seu único filho, esse que vos fala.

Porque um dia sai pra nunca mais voltar.

E por minha culpa, meu pai morreu em meu lugar.



Essa história é longa, então serei breve.

O fascínio pela cidade grande.

Me fez sair daquela casinha, meu lar.

Pequei o pouco que tinha e fui sonhar.



Mas a realidade bateu à porta.

E para sobreviver precisei roubar.

E para não morrer eu tive que matar.

E nas drogas e vícios eu fui parar.



Por causa de uma dívida minha.

Meu pai tentou negociar.

E daquele morro ele saiu sem vida.

Não tive coragem de voltar.



Por isso mãe, eu te peço perdão.

Não ouvi seus conselhos.

Quando falava de DEUS, não quis acreditar.

E rejeitei seus pedidos para: voltar.



Eu mereço muito mais que a prisão.

Fiz muitas famílias chorar.

E muitos jovens do caminho: se desviar.

Eu não mereço nenhuma compaixão.



Mãe: nunca mais vi a luz do luar.

Lembra das nossas conversas na varanda.

Da nossa casinha tão simples.

Que a lua resolveu testemunhar.



Sr. Juiz: peço ao advogado.

Não tente me inocentar.

Sou culpado, eu confesso ao juri.

Só precisava essas palavras falar.



Quando alguém for lá pra aquelas bandas.

E for subir a montanha: pare naquele lugar.

E deixe naquela casinha essa carta.

Leia para ela, bem devagar.

Eu sei minha mãe vai chorar.

Mas eu não posso mais voltar.


(Claudio Alves de Oliveira)