MÚSICA AUTORAL:
Naquela estrada estranha.
Que ninguém sabe aonde termina.
Existem lendas que alimentam o medo.
Já faz muito tempo que ninguém passa lá.
Todos que se aventuraram, nunca mais voltaram.
Talvez exista alguma maldição.
Algo sobrenatural ou outra coisa.
Só uma pessoa voltou de lá.
Ouvi tanta coisa, que resolvi investigar.
Não vi nada que pudesse relevar.
Passei uma noite na penumbra da estrada.
Andei pelas montanhas e matas.
Na madrugada senti um arrepio.
Era o frio, ou o medo tentando me dominar.
Quando a coruja cantou eu tremi.
Me deu medo, ouvindo o barulho das asas.
Conheci um Senhor muito velho.
Cansado da vida e da solidão.
Que sua história contou.
Depois de um tempo de casado.
Um dia um viajante apareceu.
Com fome e roupas rasgadas e ajuda pediu.
No outro dia, quando acordou.
Estava amarrado na cama.
Sua esposa abraçando o viajante.
Recolhia tudo o que tinha.
Suas economias e tudo de valor.
E depois partiu dizendo “morra em paz”.
Ficou amarrado por muito tempo.
Ele não soube dizer.
Mas disse que às noites, uma ave o ajudava.
Trazia comida para ele:
O que conseguia, frutas, raízes e animais.
Um dia a corda apodreceu.
E conseguiu sair e aprender a andar de novo.
Abraçou a solidão e criou todas as lendas.
Não quis contato com nenhuma pessoa mais.
No dia marcado para meu retorno.
Aquele velho também partiu.
Por uma estrada sem fim e sem volta.
Encontrei seus documentos.
Já tinha vivido mais de um século.
Guardado entre seus pertences.
Ainda tinha uma foto.
Daquela que ele tanto amou,
Mas também odiou.
Se precisar viajar não passe por lá.
Vou manter viva a lenda da estrada sombria.
Em memória daquele senhor.
Que a solidão e a distância o abraçaram.
(Claudio Alves de Oliveira)

