quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

PERDOAR

 



PERDOAR


Hoje vamos falar de uma ação, que em algum momento das nossas vidas, é preciso é necessário que de alguma forma aconteça.

Levando em consideração que essa ação precisa partir de nós, precisamos tomar a frente, se antecipar, mas não é tão simples assim, para podermos realizar esse ato precisamos se esvaziar, esquecer os argumentos, justificativas, abrir mãos de todos os precedentes, precisamos deixar enterrados o orgulho e a razão.

Talvez seja a ação mais complexa, a mais difícil atitude dos seres humanos, um ato que requer de nós o mais puro dos sentimentos, precisa que venha da alma, e não fique nenhum, vestígios, nenhuma ponta solta.

Para que esse ato posse ser realizado, depende de nós, mas precisamos se ajustar primeiro, como já foi colocado, se esvaziar, para que o próximo passo possa ser executado, todos os sentimentos aqueles que mais pesam, precisam serem moldados, uma metáfora para colocar seria uma ferramenta, por exemplo, um machado, sem corte ele não serve, mas se estiver afiado será muito útil ao lenhador.

Imagine que o nosso eu, seja esse machado, o egoísmo, a falta de corte, podemos chamar isso de amor-próprio, o nosso orgulho pode ser a falta do cabo, nesse aspecto abrimos mão do orgulho, do nosso eu, do nosso amor-próprio, é como o machado que depois com o cabo e afiado, pode ser utilizado.

Deixamos de lado até a valentia, encaramos a nós mesmo, reconhecemos nossos erros, que ferimos alguém, que machucamos um semelhante, ou que ofendemos alguém, ficamos em dívida, ou que tenhamos apenas desavenças, muitas vezes por causas desconhecidas não falamos com a pessoa, mas chega um momento que nosso coração pede para uma retratação, ou aquela pessoa que a muito, tempo carrega o peso do remorso.



Uma bagagem muito grande e pesada, que precisa ser tirada, o primeiro passo tem que partir de nós, essa é a razão do nosso esvaziamento total, sem receios, convictos de que estamos fazendo o que deveria ter acontecido há muito tempo, pedimos o perdão.

Nos nossos caminhos, talvez essa seja essência que faltava, não se trata de humilhação, mas de um ato sublime de extrema coragem e muita valentia, reconhecer que erramos é sublime, pedir perdão a quem nos ofendeu, para esse ato de um humano, os Céus se inclinam.

Em algum lugar desse blogger, já devo ter contado esse fato que presenciei e participei, uma desavença entre dois amigos de trabalho, acabaram se desentendendo, mas devida a influência de um, o outro temeu pelo seu emprego, ouvi ambas as versões das histórias, e esse que ficou com temor dei mais atenção, em resumo ele abriu o seu coração, e naquele dia sem nada premeditado, disse a ele essas palavras, porque ele alegou que tudo aquele ocorrido tinha o dedo do mal, “se é o capiroto, a hora que o fulano chegar, você vai lá e pede perdão para ele, não se importe se você está certo ou errado, se tem a razão ou não, apenas faça isso, e o mal perderá”.

E ele fez isso, espanto no outro colega foi enorme, que me disse depois que não acreditava, pois foi ele quem ofendeu, era ele quem deveria se desculpar, pedir perdão, o fato é que se acertaram depois daquele episódio, aprendi muito com esse fato e mais uma vez estamos ilustrando essa reflexão com esse ocorrido.

Tristemente também conheço pessoas que morreram e não se desculpou, não se retratou, levou para a sepultura o orgulho, foi enterrada com sua arrogância, DEUS sabe e conhece, não estou julgando, mas a lógica é quem ofendeu, quem maltratou precisa buscar o perdão.

Mas alguns, mesmo ofendidos, buscam o perdão, não precisava, mas querendo ajudar até aquele que o ofendeu, se aproxima e tenta uma retratação, talvez seja até mais ofendido, mas não importa, fez além do que precisava.

Jaz faz um tempo, um inocente fora condenado a morte, mas ele contemplava a multidão, e enxergava o coração daquelas pessoas, e observou que muitos foram manipulados, os verdadeiros culpados estavam no meio, mas entre aqueles que o ofendiam, cuspiam no seu rosto, falava palavras desnecessárias, contribuíam com aquela execução, ainda assim de certa forma, eram inocentes, foram induzidos por discursos de seus líderes, e um momento clamou por aquelas pessoas, “Pai perdoa, porque não sabem o que fazem”.

Vamos voltar um pouco antes, um questionamento feito por alguém, “quantas vezes por dia devemos perdoar nossos irmãos?” a resposta foi algo bem desproporcional, “até setenta vezes sete”.

Impossível alguém ofender outra pessoa em um dia 490 vezes, vamos imaginar, um confronto, o que se posiciona como o que vai ofender e aquele que será ofendido, e começa o confronto, a primeira ofensa foi perdoada, a segunda, a terceira, para o que está ofendendo precisa voltar na primeira, a segunda não valeu, precisa voltar, se torna um looping; por isso, é desproporcional, impossível para o homem.

Para os humanos, sem generalizar, um dos atos mais difícil que existem, pedir perdão, é um desses, perdoar apesar uma consequência do pedir, é como se livrar de todas as correntes, de todo o pesado fardo que carregamos, quando perdoamos nos sentimos leves, libertos, parece que criamos asas,

Mas, por outro lado, pedir perdão, é um longo caminho a se percorrer em meio as lágrimas, é como escalar a montanha com pessoas ao invés, de incentivar, só dizem palavras negativas, que não vai conseguir, que vai cair, que é inútil, para que tanto esforço pode ser que não tenha sucesso, que não alcance o topo.

Um caminho espinhoso, mas que precisamos realizar, a recompensa será o abraço, ouvir daquele que ofendemos, “eu te perdoo”, o mais gratificante que isso, é ouvir, “eu já perdoei", não precisava disso, vem aqui me abraça, vamos cantar juntos, vamos caminhar, tomar um café, vamos marcar um almoço.

É tão simples dizer errar é humano, qualquer coração fala isso, sendo com sinceridade ou não, mas quando reconhecemos nosso erros e se arrependemos, e tentamos através do perdão uma retratação, isso é sublime, é Divino.

(Claudio Alves de Oliveira)

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