UM GRITO
Um grito sempre é seguido pelo silêncio.
Olhares curiosos que buscam a origem daquele som.
Alguns querem entender ou interpretar.
Outros procuram a existência de um perigo iminente.
Mas tem aqueles que buscam de imediato a proteção.
E dentro silêncio, inúmeras reações são observados.
Talvez aquele grito foi apenas uma reação.
Ou quem sabe, o resultado de uma ação.
Ou o pressuposto que alguém apenas queria atenção.
Aquele grito poderia ser um pedido de socorro.
Ou um grito de agonia, de alguém que não suportou mais.
O grito pode ser ouvido e interpretado.
Mas quando a alma grita dentro de nós.
A audição humana não é capaz de ouvir.
Nem os animais na sua pureza e inocência.
Tem a percepção de que por dentro sentimos dor.
Uma alma que geme e expressa sentimentos profundos.
Distante dos olhares, tão longe de tudo e, ao mesmo tempo, perto.
Enquanto no olhar, na face esboça um sorriso.
Por dentro a alma chega a sangrar, perfurada pela tristeza.
Cortada pela decepção, ou angustia.
Enquanto sorri para as pessoas, a alma geme e grita.
Ferida pelo desprezo, machucada pelo abandono.
O lamento da nossa alma, não pode ser ouvido.
Nem o grito da nossa alma, vai causar um silêncio.
Não vai chamar a atenção, nem a curiosidade das pessoas.
Não existe humano que possa consolar.
Nem médico que possa fazer uma saturação.
Nem uma medicação para um alívio.
Nesse momento muitos se decidem pelo extremo.
E desistem de tudo, de todos e da vida.
Uma alma geme na sua dor expressando sentimentos.
Que nenhum ser humano poderia entender.
Gemidos inexprimíveis que só podem ser ouvidos nos Céus.
É como uma onde de baixa frequência.
Que sem aparelhos não seria observado.
Assim as lágrimas da alma, distante dos olhares humanos.
São tão visíveis lá nos Céus, tão vivas.
Em lugar há muito tempo, um grito se ouviu.
Não era a dor no corpo, devido ao flagelo.
Dos açoites, dos cravos, da humilhação.
Do peso daquela madeira, do caminho percorrido.
Tudo isso doeu, e muito, mas alma doía mais.
Quando se sentiu só, a boca não se conteve.
E expressou aquilo que estava na alma.
“ELI, ELI, lamá sabactâni”.
Já perto do último suspiro como humano.
Está escrito que bradou com grande voz.
Que estremeceu a todos, a terra tremeu.
As pedras se fenderam, os sepulcros se abriram.
O véu da separação no templo se rasgou.
Um centurião teve que confessar.
“Verdadeiramente este era o Filho de Deus”.
Estamos encerrando nossa reflexão já.
Porém, antes queria deixar minha conclusão.
Os ataques na alma não vão cessar.
Fomos avisados que isso seria intenso.
Nossa luta não é contra a carne nem o sangue.
Mas contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais.
O único lugar celestial na terra é a nossa alma.
Será aí que o inimigo vai agir.
Fazer com que muitos desistam da vida.
Não desista da vida, não deixe de viver.
A dor e lágrimas às vezes são necessárias.
A vitória só se alcança com sacrifícios.
(Claudio Alves de Oliveira)
Um grito

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