OUVI MINHA HISTÓRIA
Cansado da viagem ali parou.
Pediu o cardápio e se assentou.
Ao seu lado um movimento, observou.
Mas não deu atenção, se concentrou.
Ali esperando o seu pedido.
Pensava na sua vida.
Uma cena a sua atenção chamou.
Parecia estar sozinho, ele parou.
Muitas pessoas em volta de um homem.
Que toma a frente e discursa.
E uma história começa a contar.
E todos os presentes fazem silêncio.
“Vamos falar de heróis hoje.
De alguém que não teve medo.
Enfrentou o fogo e sua fúria.
Para salvar uma inocente criança.
De alguém que não teve dúvidas.
Se jogou nas correntezas do rio.
Naqueles dias de chuva intensa.
Para salvar um jovem adolescente.
E porque não citar um bebê engasgado.
Uma grávida em trabalho de parto.
Um ciclista sem chance de vida.
Um motorista que foi baleado?
O que proponho hoje na nossa cidade.
É criar um monumento em sua homenagem.
Porque falamos de um homem simples.
Que salvou da morte, muita gente.”
O discurso terminou com muitas palmas.
E um coro de aprovação por todos.
Entre aquelas pessoas estavam.
Alguns sobreviventes, que nem foram citados.
Aquele momento virou uma festa.
Uma faixa foi aberta.
E nela tinha uma frase.
“Nossa gratidão ao herói desconhecido”.
Ninguém notou que naquela mesa.
Aquele viajante solitário que ali parou.
Viu seus olhos lacrimejados.
Não quis acreditar.
Que acabara de ouvir.
A sua história.
(Claudio Alves de Oliveira)


Nenhum comentário:
Postar um comentário