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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

ELA TE ENCONTROU (Música Autoral)


 MÚSICA AUTORAL:


 

ELA TE ENCONTROU


 


Uma estação rodoviária

Um lugar que leva a muitos destinos.

Mas aquele homem não esperava.

Voltar para o início.

Quando sua história começou.

O seu passado virou presente.



Não foi a condução que o conduziu.

Mas foi uma melodia.

Em um palco improvisado.

Dois violeiros entretinham os viajantes.

Cantando e tocando antigas canções.

Aquelas que falavam do sertão.



Quando ele teve certeza gritou.

Não é possível, não posso acreditar.

E aproximando dos violeiros.

Caiu de joelhos em prantos.

Um deles parou de cantar.

Se aproximou daquele homem.

Para ajudar, estendeu as mãos.



O outro violeiro não parou de tocar.

O homem ainda de joelhos disse:

Eu conheço essa viola.

Seus olhos brilhavam olhando o instrumento.


As pessoas pararam e fizeram silêncio.

O violeiro percebeu aquele coração alegre.

-Se levanta amigo, e conte a sua história.

Entre lágrimas e sorrisos ele fala.



-Amigos, o som dessas cordas eu reconheci.

Essa viola foi minha companheira.

Durante alguns anos, éramos um só.

Os acordes dela eram marcados.

Pelas batidas do meu coração.

Choramos juntos e nos alegramos.

Até que um dia fui enganado.



Estávamos em uma cidade.

Fazendo um show para muita gente.

Meu parceiro e o nosso empresário.

Fugiram com tudo, me abandonaram.

Só não levaram a viola.

Longe de casa sem dinheiro.

Tive que vender ela pra comer.

E poder voltar pra casa.





E deste episódio em diante.

Nunca mais cantei nem toquei.

Quando ouvia alguma música eu fugia.

Mas hoje enquanto você tocava.

Ela se conectou comigo.

Senti de novo aquele desejo.

Senti o prazer de viver voltando.

A vontade de cantar e tocar.

Isso me faz tanta falta.

Todos esses anos, nessa amargura.

Só deixa eu abraçá-la.



O violeiro em lágrimas.

Estendeu a mão com a viola.

E disse: esta viola te pertence.

Ela é sua, nunca usei para tocar.

Mas hoje alguma coisa me dizia.

Que deveria estar com ela.

Meu amigo, ela te encontrou.



Claudio Alves de Oliveira

 

terça-feira, 21 de julho de 2026

É IMPOSSÍVEL (Música Autoral)


 MÚSICA AUTORAL:


  

É IMPOSSÍVEL





O que sei é que não será possível.

Esquecer, é algo improvável.

Existem coisas que não controlamos.

E outras que não conseguimos medir.



Existem sentimentos em nós.

Dos quais não entendemos a sua dimensão.

Não existem ferramentas.

Que possam medir com precisão.



Esquecer é uma dessas forças.

Que habitam o nosso ser interior.

Algo que afirmamos, sem explicação.

Um sentimento extremamente profundo.



Ainda que sejamos odiados.

Mesmo sendo desprezados.

Sentimos a antipatia no ar.

Com a nossa presença no ambiente.

O nosso nome, até causa incomodo.



Não vai justificar, esquecer.

Pelo contrário, lembro de tudo.

De cada momento, de cada minuto.

O tempo nada pode fazer.



Pode até ser que nem se lembre mais.

Que não exista mais nada para recordar.

Nenhuma lembrança para remoer.

E que a saudade foi algo apagado.

E as memórias foram destruídas.

E o silêncio seja tudo o que sobrou.



E isso me causa inveja.

Por mais que eu tente.

Por mais que eu lute.

É impossível esquecer.

O passado não morre.


É verdade que o tempo não volta.

Mas também é verdade.

Que o amor se renova.

Se adapta, em qualquer circunstância.

Na distância e na solidão.



Queria muito esquecer.

Mas não consigo.

Quem sabe o que é amor.

E viveu dele um pouquinho.

Sabe que é impossível deixar de amar.


(Claudio Alves de Oliveira)

domingo, 12 de julho de 2026

OUVI A MINHA HISTÓRIA (Música Autoral)

MÚSICA AUTORAL:


 

OUVI MINHA HISTÓRIA


 


Cansado da viagem ali parou.

Pediu o cardápio e se assentou.

Ao seu lado um movimento, observou.

Mas não deu atenção, se concentrou.


Ali esperando o seu pedido.

Pensava na sua vida.

Uma cena a sua atenção chamou.

Parecia estar sozinho, ele parou.


Muitas pessoas em volta de um homem.

Que toma a frente e discursa.

E uma história começa a contar.

E todos os presentes fazem silêncio.


Vamos falar de heróis hoje.

De alguém que não teve medo.

Enfrentou o fogo e sua fúria.

Para salvar uma inocente criança.


De alguém que não teve dúvidas.

Se jogou nas correntezas do rio.

Naqueles dias de chuva intensa.

Para salvar um jovem adolescente.


E porque não citar um bebê engasgado.

Uma grávida em trabalho de parto.

Um ciclista sem chance de vida.

Um motorista que foi baleado?


O que proponho hoje na nossa cidade.

É criar um monumento em sua homenagem.

Porque falamos de um homem simples.

Que salvou da morte, muita gente.”


O discurso terminou com muitas palmas.

E um coro de aprovação por todos.

Entre aquelas pessoas estavam.

Alguns sobreviventes, que nem foram citados.


Aquele momento virou uma festa.

Uma faixa foi aberta.

E nela tinha uma frase.

Nossa gratidão ao herói desconhecido”.


Ninguém notou que naquela mesa.

Aquele viajante solitário que ali parou.

Viu seus olhos lacrimejados.

Não quis acreditar.

Que acabara de ouvir.

A sua história.


(Claudio Alves de Oliveira)