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domingo, 17 de agosto de 2025

MEMÓRIAS DO CÁRCERE





MEMÓRIAS DO CÁRCERE

(Sansão)


Não podia mais enxergar, e ali no cárcere se perguntava.

Como tudo aquilo foi possível.

Aquele era o seu lugar agora, talvez seus últimos momentos.

Seriam ali vividos em meio a sua dor e seu lamento.

Em seu maior remorso, dentro de si sua alma estava em agonia.

O arrependimento por ter se deixado enganar-se.

Não existiam culpados a não ser, ele, tão somente ele.

Como se justificar em cima das suas ações.

Ou melhor, as consequências daqueles atos errôneos.

E naquela espécie de masmorra o inimigo o fazia movimentar o moinho.

Os grilhões nos seus pés o separavam da liberdade.

Foram 20 anos de vitória e glórias.

Foram dias inesquecíveis e exuberantes.

Assistiu muito homens fugirem dele com medo.

Sua força e dominação incapacitavam os adversários.



Não poderia ser diferente o tratamento que recebeu.

Olho por olho e dente por dente.

Tinha certeza que não sairia mais dali com vida.

Mas com tudo o mal a sua volta, ou em si próprio.

Ainda pairava sobre sua consciência.

A sua missão, e seus pensamentos voltavam ao passado.

A imagem dos seus pais, principalmente sua mãe.

Que o educava acerca da sua preparação.

Você é diferente, seu cabelo não pode ser cortado.

Sua boca não pode provar bebida, você foi escolhido.

Tem uma missão muito importante na sua vida.

Precisa libertar o seu povo da escravidão.

Foi um anjo que anunciou tudo isso.

Quantas recordações e lembranças inundavam sua mente.

Afogavam o seu ser, queria ver a sua volta.

Era completa escuridão, seus olhos foram arrancados.

O inimigo o odiava muito e o fez pagar.

Por todo ato, por batalha, pelas perdas e danos.

Por todas as frustrações que ele os fez passar.

Pelos soldados que foram mortos em combate.

O mais temido dos seus inimigos, apenas um homem.

Que agora estavam em suas mãos, era dia de festa.

Homenagens ao deus deles e ele podia sentir e ouvir.

A grande celebração que estava acontecendo.

Que praticamente imobilizou quase toda aquela nação.

Que era inimiga do seu povo e o foco da sua missão.

Não era possível que o deus Dagom era vitorioso.

Não depois de tudo o que havia acontecido.

As batalhas que saiu vencedor de todas.

Lembrou do dia que estava com sede, e clamou por água.

A queixada do jumento que tinha usado como arma.

Se fendeu e saiu água sua voz foi ouvida pelos Céus.

E esse sentimento começou a tomar conta da sua alma.

Nem percebeu que seu cabelo começava a crescer muito rápido.

Foi convocado para alegrar a festa dos filisteus.

Alguém o ajudou a chegar o local designado.

O templo tinha duas colunas que o sustentava.



Já não se importava mais com a zombaria.

Com as coisas que seus inimigos pediam que fizesse.

Seus pensamentos estavam bem longe dali.

Parecia ouvir sua mãe falando do anjo.

Os momentos que fora vencedor.

Relutando em seus pensamentos concluiu.

Fui eu quem perdi essa batalha.

Eles não venceram apenas deixei ser derrotado.

A sua mente o exaltava, o elevava mais alto.

Há um patamar mais elevado, entender aquela situação.

Um dos homens mais forte que existiu na terra.

Não se tratava de um gigante, com armaduras.

Mas toda as vezes que estava na batalha.

Sentia uma força o tomar, alguma coisa bem diferente.

Era tomada por uma energia incomum.

Enquanto apalpava as colunas do templo.

Os seus sentimentos mais profundos se voltaram para os céus.

E clamou com toda a sua alma.



Pediu vingança pelos seus olhos que foram arrancados.

E entendeu que tudo aquilo fora de propósito.

E de repente sentiu que a sua força voltou.

Passou a mão na cabeça e sentiu seus cabelos de volta.

E algo parecido com implosão de um edifício, aconteceu.

O templo do deus Dagom sucumbiu.

Ali estavam os homens mais poderosos dos filisteus.

Príncipes, comandantes e soldados, religiosos.

Nenhum deles escapou, foram soterrados pelos escombros.

Num único dia morreu mais inimigos de Sansão.

Do que em todo seu tempo de vida, ou de juiz em Israel.

Realmente ele não perdeu nenhuma batalha.

Em sua última peleja, cumpriu sua missão.

Embora tenha te custado a vida.

Mas o seu povo estava liberto da escravidão.

A sua força nunca esteve no cabelo.

Mas na obediência a DEUS.


Autor:

(Claudio Alves de Oliveira)

Memórias do cárcere

 

sábado, 16 de agosto de 2025

JUNTO AO RIO (LAMENTAÇÃO)





 

JUNTO AO RIO

LAMENTAÇÃO


Fomos levados da nossa moradia, sequestrados.

Destruíram a nossa habitação, o nosso lar.

Queimaram os muros da cidade, e tudo foi saqueado.

Nossos pertences, nossa riqueza, e muitas vidas perdidas.

E fomos levados para um lugar distante.

Um reino diferente, costumes e hábitos distintos.

Nossa liberdade foi arrancada de nós.

Fomos escravizados naquele reino.

Nossa cidade, o nosso templo, tudo foi destruído.

E agora estávamos distante de tudo.

Nossa alegria e nossa felicidade nos foram tiradas.

Levaram o nosso júbilo e o nosso resplendor.

A nossa identidade foi trocada, agora somos escravos.



E tudo o que nos restava era chorar e lamentar.

Ali não era o nosso lugar.

Aqui não é o nosso lar.

Esta não é a nossa vida.

Essa não é a nossa pátria.

Esse não é o nosso país.

Esse não é o nosso rei.

Nem esses são dignos da nossa devoção.

Nem esse objetos serve para adoração.

Nem essa música são as que nos alegram.

Todo esse lugar só nos emana tristeza.

Toda essa terra só enfatiza nosso amargor.

As belas paisagens só ativa as boas lembranças.

E tudo o que temos são lágrimas.

Saudades que nos fere e nos machuca.

A opressão nos transformou num povo amargoso.

Perdemos a esperança, deixamos de acreditar.

E naqueles rios nos sentavam-nos e lamentava-nos.

Nossos instrumentos ficavam pendurados.

Perdemos tudo, até o desejo de louvar.

A força de cantar e a alegria de tocar.

Não existia nenhuma razão e nenhum motivo.

Para que se alegrássemos sentados na beira do rio.

Nossa tristeza até comoveu os nossos opressores.

Que nos diziam para que tocássemos.

Queremos ouvir as suas melodias.

Conhecer um pouco da sua cultura, sua música.

Nos alegrem entoando um dos seus cânticos.

Cantem suas músicas para os nossos ouvidos.

Para que a nossa alma se alegre.

Mas aquelas pessoas não sentiam a nossa dor.

Eles não entendiam a nossa tristeza.

Não conseguiam ver a nossa alma dilacerada.

Nem compreendiam que música e tristeza não combinam.

Porque se tocássemos ali naquele lugar.

Só aumentaria nossa dor e amargura.

Aquele pedido estava além de um gesto.

Percebemos que queriam nos fazer esquecer.

Apagar da nossa memória a nossa terra.

Nos fazer tentar esquecer do nosso lar.

Dos momentos da nossa glória.

Do nosso auge e das nossas vitórias.

Como podíamos esquecer da nossa cidade.

Que a nossa língua se una ao paladar.

Se não confessar a nossa maior alegria.

Era de estar no nosso país, nossa cidade.

Dentro dos muros, nos palácios e no templo.

Ouvir os Salmistas, ouvir as canções.

Cantar um dos cânticos de Sião.

Olhar para o Céu com as mãos levantadas.

E Glorificar ao que VIVE para sempre.

Se isso não era felicidade, os oceanos secaram.

As lembranças do dia da assolação.

Eram tão fortes em nossos pensamentos.

Em nossas conversas em nossas lamentações.

Aquelas vozes ainda parecia tão sufocante.

“Destruam tudo, queimem os seus muros.”

“Até os seus alicerces, acabem com tudo.”

Eram palavras de destruição que não esquecemos.

Que pareciam nos assombrar naquele lugar estranho.

Só não conseguíamos ver a diferença de justiça e vingança.

Queríamos que pagassem da mesma forma.

Que fossem assolados do mesmo jeito.

Que fizessem com seus filhos o que fizeram aos nossos.

As nossas harpas penduradas nos salgueiros.

E nossas lágrimas que pareciam aumentar.

O volume de água dos rios de Babilônia.

O nosso lamento não foi ouvido.

Nem nossas preces foram atendidas.

Durante muito tempo.

Fomos deixados ali, e esquecidos.

Precisamos voltar, ali não era o nosso lugar.

Somos um povo livre, não cativos.

O cativeiro não nos serve.

Tudo o que precisávamos e de um novo recomeço.

Uma chance, uma oportunidade de voltar e recomeçar.

Reconstruir nossas vidas e o nosso lar.

Ter a nossa liberdade de volta.

Nossos sonhos são levados pela correnteza do rio.

Que não para, não entende o nosso sofrimento.

Não compreende a nossa dor.

Nem a saudade que nos mata aos poucos.

E ali ficamos sentados olhando o seu fluxo.

O sol brilhando nas suas pequenas ondulações.

Observar aquelas águas é o que tínhamos de precioso.

Parecia acender a chama da esperança.

(Claudio Alves de Oliveira)

Junto ao rio

Lamentação


  • Eventos ocorridos neste período

    Início do cativeiro 586 a.C.

    Nabucodonosor II destruiu Jerusalém e o Templo, marcando o fim do Reino de Judá e o início do período do exílio na Babilônia. 

    Fim do Cativeiro (538/537 a.C.):

  • Ciro, o rei persa, conquistou a Babilônia e, através de um decreto, permitiu que os judeus retornassem à sua terra e reconstruíssem o Templo. 

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

UM SIMPLES CORVO





 

UM SIMPLES CORVO


Antes de mais nada deixe me apresentar.

Meu bando, meus amigos, nós somos corvos.

Tivemos uma missão muito importante na terra.

Tivemos que mudar, nossos hábitos e costumes.

Mas de uma coisa eu sei, foi gratificante demais.

Imagine você vivendo a sua vida simples.

Todos os dias é a mesma coisas, elas parecem se repetir.

Um dia então aparece, algo diferente para realizar.

Algo considerável para fazer fora da sua rotina.

Com certeza isso nos torna reconhecidos.

Um tipo de ação que nos marca para sempre.

E assim aconteceu comigo e meus amigos.

Um dia enquanto batíamos as asas, e voávamos sem rumo.

Com o meu bando, meus amigos, algo rotineiro.

Recebemos a missão, fomos instruído para uma tarefa.

Não era nada impossível, mas para um pássaro era diferente.

Se observar a natureza, as aves não mudam seus hábitos.



Nada vai acontecer além daquilo que é normal, rotineiro.

Nada vai além do habitual, mas conosco foi diferente.

Eu e meu bando, fomos designados durante alguns dias.

Durante as manhãs e a noite.

Tínhamos que levar pão e carne para um homem.

Que estava vivendo num riacho no deserto.

Aquele homem precisava se esconder dos seus inimigos.

E a pedido de DEUS foi viver ali.

Nossa missão era simples, encontrar pão e carne.

Uma quantidade para alimentar somente uma pessoa.

Nosso bando era grande, e dividíamos as tarefas.

Cada um de nós saia focado em algo.

Caravanas, cidades com mercado.

E dessa forma providenciávamos a comida.

Precisávamos todos os dias, o alimentar.

E ouvíamos sempre dele, palavras de gratidão.

Conseguíamos ouvir dele: “vocês voltaram”.

Foi no primeiro dia da nossa missão.

Quando chegamos no riacho já a noite.

Assim por dias o fizemos, com perfeição.

Era um tempo que não chovia, e o ribeiro ia secando aos poucos.

Até que um dia não existia mais água.

Com o ribeiro seco aquele homem se foi.

E a nossa missão também cessou.

Acabou os nossos voos até o deserto.

Voltamos a normalidade da nossa vida.

Mas a nossa história ganhou umas linhas nas Sagradas Escrituras.

Esse é apenas um relato a respeito de nós, os corvos.

Verá que somos mencionado muitas vezes.

Noé, assim que a arca não flutuava mais.

Soltou um corvo que logo voltou.

Não encontrou onde pousar.

A nossa autonomia de voo e menor que a dos pombos.

No máximo 160 km em um dia, o pombo muito mais que isso.

Agora no quesito inteligência, somos mais apurados.

Estamos a disposição Daquele que nos formou.

Como foi no dia do profeta que viveu naquele ribeiro.

O SENHOR DEUS nos deu aquela missão.

E a realizamos com perfeição.

Nós não plantamos, nem semeamos, não temos celeiros.

Não temos dispensas, não construímos nada.

DEUS nos alimenta, cuida de nós.

O nosso zelo, a nossa gratidão é grande.

Somos cuidados por DEUS.

Não é só nos, os corvos, a natureza em si.

Cada espécie na sua designação.

Quando o SENHOR JESUS ensinava seus discípulos.

Nos mencionou conforme acima, mas também falou do lírios.

Que não teciam, que não trabalham.

Mas nem o mais poderosos reis conseguiram se vestirem como eles.

Também DEUS os sustenta.

DEUS não abandona aqueles que o ama.

Cria meios, caminhos e oportunidades.

Se usa daquilo que está na natureza.

Da chuva ou do sol e das marés.

Nesse relato ressaltamos a nossa missão.

Alimentar um ser humano, que era considerado por DEUS.

Que não permitiu que passasse fome.

Colocou em nossos corações a vontade e o desejo de ajudar.

Nos mostrou onde o profeta estava.

Nos conduziu também na nossa jornada diária.

Somos cuidados por DEUS todos os dias.

Já os homens, os seres humanos são momentos mais específicos.

Nossos feitos estão na história.

(Claudio Alves de Oliveira)

Um simples corvo

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

EU FALEI





 

EU FALEI


Deixe me apresentar primeiro, depois eu falo do que vi.

Desde já posso adiantar que a minha história, é grandiosa.

O privilégio que tive, talvez nunca tenha acontecido.

Eu sou um ser único nesse quesito, uma sorte única.

Sou da família equidae, Reino Animália, Filo Chordata.
Classe Mammalia, Ordem Perissodactyla, Gênero Equus.

Bem complicado, veja como sou importante.

Vamos resumir tudo isso, sou apenas uma jumentinha.

Mas, pasmem nenhum animal na terra passou o que passei.

Viu o que eu vi, e agora vocês vão se espantar mesmo.

Falou o que eu falei, abri o meu coração mesmo.

Eu falei, coloquei pra fora meus sentimentos.

Para entender a minha história, precisa voltar no tempo.

Entender o que acontecia naquele momento.

Vou te dar um número aproximado, 1450 a.C.

Faz um tempinho já, mais a frente eu conto uns segredos.

Por enquanto, vamos aos fatos.

A minha família, são considerados animais de carga.

Pela nossa força e adaptação a qualquer tipo de clima.

Nossos serviços prestados aos homens se baseia em transportes.

Durante a antiguidade fomos a logística primitiva.

Chega de apresentações, foi servi a um homem, um profeta.

O transportei para muito lugares, carreguei suas bagagens.

Afinal de contas, essa era a minha função.

Para esse fim o CRIADOR me formou, desde o início do mundo.

A situação era o seguinte, um povo que foi escravizado.

Ficaram livres e caminhavam em direção a sua terra.

Mas os outros povos não aceitavam isso e tentavam impedir.

E isso era a todo custo mesmo, inimigos se uniam.

Para impedir aquele povo de passar.

Só queriam passar por alguns territórios, mas eram impedidos.

Aquilo era uma afronta, e a maioria dos povos declaravam guerra.

Não permitiam a passagem daqueles escravos do Egito.

Mas, tudo tem um porque, sobre aquele povo tinha uma promessa.

A terra que eles estavam a procura, fazia parte dessa promessa.

E eles estavam determinados, e prontos para a guerra.

Uma descrição bem por cima mesmo dos fatos daquele tempo.

Então entramos nessa história, ou nesses fatos.

Um certo rei observou esse povo acampado nas campinas de Moabe.

E se perguntava como chegaram até ali, e as informações não eram boas.

Todos os que ficaram no caminho deles foram destruídos.

Então meditando chegou a conclusão que um confronto não seria ideal.

Mas uma maldição, algo sobrenatural, isso deveria impedir aquele povo de prosseguir.

Aquele rei imaginou a sua fama, como se fortaleceria diante das nações.

Como o rei que impediu o ímpeto daquele povo.

Já te disse que meu dono era profeta, pois é.

Aquele rei mandou mensageiros para falar com ele.



Para que lançasse uma maldição sobre aquele povo.

Vi eles com uns trocados na mão, era o pagamento.

Mas parece que DEUS não concordou com isso.

Até esse momento não podia compreender, então deduzi.

Aquele rei mandou mais pessoas e essas bem importante.

Meu dono o profeta pediu que ficassem, precisava falar com DEUS.

Se ausentou durante a noite e pela manhã.

Entendi que ele mudou de ideia, me confidenciou, vamos partir.

Preparou-me, e saímos com aqueles honrados homens.

A partir daqui, ocorre os fatos de que falei no começo.

Numa parte do caminho vi algo extraordinário.

Poucos humanos teve esse momento, que tive.

Ou foram capazes de ver o que eu vi.

Um ser espetacular, diferente de tudo com uma espada na mão.

Impedia a nossa passagem, tive que mudar o caminho.



Meu dono me espancou por isso, e me fez voltar.

Mas aquele ser não tinha ido embora.

Se fechou novamente o caminho e eu temi.

Me encostei na parede de pedra com medo.

E acabei prendendo o pé do profeta, que novamente me espancou.

Mais adiante em um lugar estreito vi novamente aquele ser.

Que de certa maneira me acenou para que não prosseguisse.

Então deitei no chão com medo e o profeta mais uma vez me agrediu.

Então algo sobrenatural, inexplicável aconteceu.

Eu falei.

Não, não foi a zurra, nada disso.

Eu uma jumentinha falei com voz humana.

Minha boca se abriu e o profeta entendeu.

Naquele dia eu abri o meu coração, falei do meus sentimentos.

“Que foi que eu te fiz, para me espancar três vezes”.

Desde o dia que me possuiu, tudo o que fiz foi te servir.

Fiz tudo o que eu poderia fazer por ti.

Nas tuas caminhadas onde quer que fosse, te carreguei.

Fui fiel a você toda a minha vida é dessa forma que retribui.

É isso o que mereço de você, depois de todos esses anos.

O profeta se justificou dizendo que eu tinha zombado dele.

E que se tivesse uma espada até me mataria.

Eu retruquei: é meu costume fazer assim?

Ele respondeu que não.

Eu imaginava que ele também tinha visto o que eu vi.

Então entendi no seu espanto quando viu o anjo.

Que somente eu tinha observado o anjo com a espada.

Eu ainda podia compreender aquela linguagem humana.

O anjo falava para o profeta, e apontava para mim.

Se a tua jumenta não tivesse desviado o caminho você teria perdido a vida.

Em outras palavras, aquele homem me devia a vida.

Ainda sem entender o que estava acontecendo.

Eu, uma jumentinha falando com um humano.

Vi um anjo dos Céus, e entendia toda aquela conversa.

DEUS tinha percebido alguma coisa no coração do profeta.

Sei lá, talvez estivesse pensando na riqueza.

Afinal era só ele amaldiçoar o povo que estava nas campinas.

Meu dono confessou que tinha errado.

E que dali em diante seguiria a risca as determinações.

Então aquele ser de luz com a espada desapareceu.

Da mesma forma que surgiu naquele caminho, se foi.

Como num piscar de olhos.

Se minha história fosse contada de boca a boca.

Talvez ninguém acreditaria.

Mas DEUS, o teu CRIADOR e o meu.

Reservou nos livros um espaço para a minha história.

Nos livros dos justos, no Torá.

E nas Sagradas Escrituras.

Os homens na sua maioria ainda não entendeu.

Que nos animais de todas as espécies.

Temos sentimentos, temos o amor.

O amor não é instinto, é uma dádiva.

Fomos impedidos de falar com as pessoas.

Mas, nós demonstramos isso com nossa linguagem.

Com sinais, com atitudes.

Aqui na terra aconteceu uma única vez.

De um animal falar, já no Éden era diferente.

Como prova disso, quinze espécies de aves, conseguem falar.

Alguns vão dizer que elas somente imitam.

Os humanos aprendem a falar da mesma forma.

(Claudio Alves de Oliveira)

Eu falei

terça-feira, 15 de julho de 2025

VIA DOLOROSA (O CAMINHO DO GÓLGOTA)




VIA DOLOROSA

(O CAMINHO DO GÓLGOTA)


O que teria que passar não seria fácil.

E o momento se aproximava, a hora estava próxima.

Depois do jantar em Betânia.



Fez uma promessa antes de tudo acontecer.

Não será a última vez que tomaremos o fruto da vide.

Mas um dia, em outro lugar.

Longe de tudo isso, longe do mundo.

Quando tudo isso deixar de existir.

Tomaremos de novo, no reino do meu PAI.

Ele prometeu, para seus seguidores.

Enquanto o traidor buscava uma ocasião.

O jardim no monte das Oliveiras seria ideal.



Estaria com dois ou três discípulos.

O traidor aproveitou a oportunidade.

E naquela noite JESUS CRISTO começou sua missão.

Não haveria volta, não poderia desistir.

E ali no jardim implorou por forças.

O cálice era muito amargo, mas era preciso tomar.

Pai se for possível passa de mim este cálice.

Todavia seja feita a tua vontade.

Um beijo do traidor, foi o sinal.

E ele foi preso, iniciando seu sacrifício.

E ali o deixaram só, todos fugiram.

Entregue nas mãos dos homens.

Sem nenhum crime, um inocente.

Recebe o tratamento de um criminoso.

As autoridades religiosas precisam de provas.

Suas falácias e argumentos não serviam.

Procuravam alguma coisa para o incriminar.

Duas pessoas falaram do templo.

Que derrubaria e em três dias o reedificaria.

O silêncio era sua defesa.

O sacerdote então o desafiou um pouco além.

“Conjura-vos pelo DEUS vivo, nos diga.

Se tu és o CRISTO, o filho de DEUS

A resposta Dele foi contundente:

“Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu.”

Aquilo para os acusadores era uma blasfêmia.

Um deles disse, para que provas isso basta.

Rasgando os seus vestidos disse, é réu de morte.

E ali o começa o desprezo da humanidade.

Cuspiram no seu rosto, esbofetearam e batiam com varapau.

O SENHOR JESUS sentiu ali a rejeição.



A do próprio povo que ele abraçou.

Foi levado ao governador, este não viu culpa.

Mas agradou as autoridades locais, temia uma revolta.

E propôs o perdão, o indulto da páscoa.

Quando o escolhido seria contemplado com o perdão.

E deixou o povo escolher o destino do FILHO DE DEUS.

Na escolha que mudaria também o destino do mundo.


Trinta moedas de prata, foi preço da traição.

A agora ao seu lado, tinha um criminoso.

E naquela manhã foi feito uma proposta.

Para o povo daquele lugar.

Que representaria o passado, o futuro e o presente.

Ali diante deles foi oferecida a decisão e a escolha.

Como se o governador colocassem diante deles.

Aqui está o amor e ali o ódio.

A luz está aqui e lá as trevas.

O que vocês decidem, o inocente ou o criminoso?

E naquela manhã a multidão insuflado pelo seus líderes.

Alguns foi até longe demais.

Se realmente fosse inocente.

Que fosse culpado pelo sangue, ele e sua descendência.

A escolha da multidão prevaleceu.

O CRIADOR do mundo FORMADOR de tudo o que há.

Foi levado para ser chicoteado.

Como alguém um disse.

Eis aí o Cordeiro de DEUS que tira o pecado do mundo.

Num simbolismo significava “subindo ao altar”.

Para si mesmo se oferecer em sacrifico.

As ruas daquele lugar, Jerusalém se encheu de pessoas.

Para acompanhar aquela caminhada sem volta.

Para todos os que subiram ao Gólgota.



Mas o que ocorria era diferente.

Em si era o desejo da multidão.

Mas por outro lado, bastaria um gesto.

Uma única palavra e nada aconteceria.

Os acusadores seriam ceifados na hora.

No entanto, o Cordeiro se ofereceu ao sacrifico.

Ganhou de presente dos homens uma coroa.

Só que era de espinhos, e incomodava muito.

Aquilo doía, perfurava a pele, uma roupa escarlate.

Símbolo de chacota e deboche.

Enquanto realizava aquele trajeto macabro.

CRISTO JESUS não sentia só o peso da cruz.

Nem a dor das feridas abertas pelo chicote.

Não era só a dor dos espinhos na cabeça.

Que apertavam sem crânio, incomodando.

Gotas de seu sangue ia caindo pelo caminho.

Então Ele sentiu a dor do desprezo.

Ele sentiu o flagelo da rejeição.

Um preço tão alto que pagaria pela humanidade.

Os gestos, as blasfêmias, as ações.

A provocação por parte de alguns do povo.

Que cuspiam, batiam, num ato de covardia.

Aos olhos do mundo ali estava alguém indefeso.

Que caminhava para o lugar de execução.

Bastaria uma única palavra um gesto simples.

E os Céus se abririam e os exércitos celestiais atuariam.

Se isso acontecesse sua missão falharia.

O objetivo era algo maior.

Sabe, aquelas pessoas, os soldados.

Aqueles que o desprezavam, zombavam, cuspiam.

Falavam palavras absurdas, o condenavam.

Não era considerado inimigos.

Somente pessoas dominadas pelo ódio.

Mas aquele era o caminho para algo maior.

Mas sendo totalmente humano e fragilizado.

Seu corpo colapsado, por todo o tratamento severo.

Caiu diversas vezes, mas levantava e prosseguia.

Um homem passava vindo do campo.

E esse foi incumbido de o ajudar.

Algumas mulheres choravam e se lamentavam.

Ele percebeu, e quase como um gemido disse.

Não chores por mim, mas lamentais por vós.

Pelos seus filhos, pelos seus descendentes.

Entre dois marginais sua cruz foi elevada.

Os cravos nas mãos e nos pés.

Uma placa indicando a sua condenação.

“Este é Jesus rei dos judeus.”

O metal roçava no osso fazendo com isso aumento da dor.

O seu corpo nu exposto.

Calado como o mudo cordeiro levado ao matadouro.

Talvez lembrou que um dia.

Chorou sobre aquela cidade.

Jerusalém que mata os profetas e aqueles que são enviados.

Quantas vezes eu quis ajuntar, como a galinha faz com os pintainhos.

Mas a rejeição dos homens falou mais alto.

O orgulho dos humanos era determinante.

A tradição estava complexada naquelas pessoas.

A religião não admitiria mudanças.

Que se opunha ao sistema sofreria retaliação.

O processo lento e agonizante da morte de cruz se inicia.

“Desça daí se tu és o Filho de DEUS.”

“Salva-te a ti mesmo e a nós”, dizia um dos condenados.

Mas o outro, não concordava com isso.

“nós merecemos isso aqui, mas Ele é inocente”.

Uma última atitude, um último gesto.

E aquele homem arrependido e coerente.

Demonstrando a sua gratidão e reconhecimento.

Mesmo sentindo as mesmas dores do outro.

Encarava a crucificação como um merecimento pelo seus atos.

Ouviu: “Te digo hoje, estarás comigo no Paraíso”.

Os sinais começam a acontecer.

Houve trevas, terremoto.

Alguém confessou Ele é realmente o Filho de DEUS.

Aquele lugar foi abalado com um clamor.

“DEUS meu, DEUS meu, porque me desamparaste.”

Pouco tempo depois terminava a sua missão na terra.

Ou melhor, no mundo dos vivos.

Nesse exato momento o véu do templo se rasgou.

Agora sua verdadeira batalha seria com outro inimigo.

Esse mais potente, mais eficaz.

Que o Salmista classificou como portas eternas.

A morte precisa ser vencida, e no terceiro dia.

Ela perdeu sua força e não resistiu.

Uma explosão acontece uma energia indescritível.

Ocorre no sepulcro onde fora colocado o Filho de DEUS.

E Ele ressurgi do mundo dos mortos.

Significando que a morte foi derrotada na batalha.

Perdeu a sua força, não o pode reter.

Não suportou a presença do FILHO DE DEUS.

E as entradas eternas teve que abrir suas portas.

O Rei da Glória entrou e resgatou.

Todas as almas que estavam presas.

A morte perdeu o seu direito.

Através dos milênios não perdeu nenhuma batalha.

Mas agora, os grilhões estavam posto aos seus pés.

Então o REI DA GLÓRIA venceu o maior inimigo.

Ainda permaneceu na terra por quarenta dias.

E na frente de muitas testemunhas.

Retornou aos Céus e recebido com honras.

Assenta a minha direita até que ponha os teu inimigos por escabelos dos vossos pés.

Disse o SENHOR ao meu SENHOR.

Agora tu és Sacerdote Eterno.

Alguém um dia relatou algo assim.

Que hoje vemos aquele JESUS que era menor do que os anjos.

Por causa da sua paixão e morte.

Coroado de honra e glória lá nos céus.

Por ter passado as mesmas coisas que nós passamos.

Sentidos as mesmas aflições e angústias.

Tentações e tantas outras coisas.

Isso é outra visão da sua passagem pela terra.

Entende e compreende cada ser humano.

Porque naquilo que CRISTO JESUS foi tentado, padeceu.

Pode socorrer aos que são tentados.


(Claudio Alves de Oliveira)

Via dolorosa (o caminho do Gólgota)

Extras: 


 Via Dolorosa: O Caminho de Jesus com a Cruz

A Via Dolorosa (Caminho da Dor, em latim) é um percurso de aproximadamente 600 metros em Jerusalém, tradicionalmente reconhecido como o trajeto que Jesus Cristo percorreu, carregando a cruz, desde o local de sua condenação até o Gólgota (também conhecido como Calvário), onde foi crucificado. Este caminho é marcado por 14 estações, cada uma representando um evento significativo da Paixão de Cristo.

É importante notar que, embora seja um percurso profundamente simbólico e de grande significado para os cristãos, a localização exata de algumas estações pode variar historicamente ou ter sido adaptada ao longo dos séculos devido às mudanças na cidade de Jerusalém.

As 14 Estações da Via Dolorosa:

Aqui está um mapa textual e a descrição das 14 estações, começando do que se acredita ser o ponto de partida:

  1. Estação I: Jesus é Condenado à Morte

    • Localização Tradicional: Pátio da Escola Umariyeh, adjacente à Fortaleza Antônia. Este era o local onde Pôncio Pilatos teria proferido a sentença.

    • Descrição: Jesus é julgado e condenado à crucificação.

  2. Estação II: Jesus Recebe a Cruz

    • Localização Tradicional: Em frente à Capela da Condenação e Flagelação, perto da Fortaleza Antônia.

    • Descrição: Jesus recebe a pesada cruz sobre seus ombros.

  3. Estação III: Jesus Cai pela Primeira Vez

    • Localização Tradicional: Esquina da Via Dolorosa com a Rua El-Wad, perto de uma pequena capela polonesa.

    • Descrição: Sob o peso da cruz, Jesus cai pela primeira vez.

  4. Estação IV: Jesus Encontra Sua Mãe, Maria

    • Localização Tradicional: Em frente à Igreja Armênia de Nossa Senhora do Espasmo.

    • Descrição: Maria, sua mãe, vê Jesus sofrendo e carregando a cruz.

  5. Estação V: Simão de Cirene Ajuda Jesus a Carregar a Cruz

    • Localização Tradicional: Em frente à Capela de Simão de Cirene, na subida da Via Dolorosa.

    • Descrição: Os soldados forçam Simão de Cirene a ajudar Jesus a carregar a cruz.

  6. Estação VI: Verônica Enxuga o Rosto de Jesus

    • Localização Tradicional: Em frente à Igreja de Santa Verônica, que abriga o convento das Irmãzinhas de Jesus.

    • Descrição: Uma mulher, Verônica, tem compaixão e enxuga o rosto de Jesus com um véu.

  7. Estação VII: Jesus Cai pela Segunda Vez

    • Localização Tradicional: Na Via Dolorosa, em um cruzamento de ruas, marcado por uma pequena capela franciscana.

    • Descrição: Jesus cai novamente sob o peso da cruz.

  8. Estação VIII: Jesus Consola as Mulheres de Jerusalém

    • Localização Tradicional: Na parede do Mosteiro Ortodoxo Grego de São Caralambos.

    • Descrição: Jesus para para falar com as mulheres que choravam por ele.

  9. Estação IX: Jesus Cai pela Terceira Vez

    • Localização Tradicional: Perto da entrada do Santo Sepulcro, no pátio da Igreja Copta de São Antônio.

    • Descrição: Próximo ao Gólgota, Jesus cai pela última vez.

As últimas cinco estações estão localizadas dentro da Basílica do Santo Sepulcro, que é construída sobre o local tradicional do Calvário e do túmulo de Jesus.

  1. Estação X: Jesus é Despojado de Suas Vestes

    • Localização: Dentro da Basílica do Santo Sepulcro, no topo do Calvário.

    • Descrição: Jesus tem suas roupas tiradas antes da crucificação.

  2. Estação XI: Jesus é Pregado na Cruz

    • Localização: Dentro da Basílica do Santo Sepulcro, no topo do Calvário, no altar católico.

    • Descrição: Jesus é pregado à cruz.

  3. Estação XII: Jesus Morre na Cruz

    • Localização: Dentro da Basílica do Santo Sepulcro, no topo do Calvário, no altar ortodoxo grego.

    • Descrição: Jesus entrega seu espírito e morre na cruz.

  4. Estação XIII: Jesus é Retirado da Cruz (Deposição)

    • Localização: Dentro da Basílica do Santo Sepulcro, na Pedra da Unção, que fica logo na entrada do edifício.

    • Descrição: O corpo de Jesus é retirado da cruz.

  5. Estação XIV: Jesus é Colocado no Sepulcro

    • Localização: Dentro da Basílica do Santo Sepulcro, no Edículo, o túmulo de Jesus.

    • Descrição: O corpo de Jesus é colocado em um túmulo.