Escrever,
é algo muito bom, tem seus prós e contra.
Depois
do texto concluído, a sensação é muito boa.
Aquele
sentimento do dever cumprido.
Realização,
euforia, após o término é só gratidão.
Nenhuma
realização seja qual for, é fácil.
Desde
quem ensina ou quem aprende.
Ou
quem constrói ou quem precisa demolir.
Quem
precisa desenvolver ou reinventar.
Tudo
tem o seu preço, lágrimas e suor.
Algumas
realizações são mais profundas e outras não.
Um
pesquisador precisa do tempo.
Um
arquiteto de papel, lápis e uma prancheta.
O
poeta de vez em quando, precisa provar de suas palavras.
Porque
não dizer provar do seu próprio veneno.
Falamos
de textos diferentes da ficção.
Mas
enfim, precisamos remoer o que escrevemos.
Se
lamentar em cima do nosso lamento.
E
até mesmo chorar em cima do próprio pranto.
De
quando em quando a realidade nos choca muito.
O
inesperado no leva ao impróprio.
As
certezas que temos se tornam banais.
Por
um momento é como se o chão deixasse de existir.
Nossa
base de sustentação se desintegrasse.
Todos
nós sabemos dos riscos e consequências.
Mas
no caso de um poema ou um texto, tese.
Pelo
menos esse que vos escreve aqui.
Não
tem um plano b.
Por
mais que estivéssemos preparados.
Para
ser rejeitado, desprezado e ignorado.
Pois
é, a nossa realidade se contradiz.
E
ficamos perplexo, sem ação.
E
não tínhamos a ideia do quanto isso nos afeta.
Recordo-me
da cena de um filme.
Alguém
luta contra os invasores da sua terra.
E
acaba descobrindo um traidor.
Não
era a traição em si, mas a pessoa, o traidor.
Que
o deixa sem ação e caído por terra.
O
desapontamento é tão grande que o deixa inerte.
Sem
forças para levantar e exposto ao inimigo.
A
rejeição tem esse poder.
O
desprezo tem essa força.
Nem
menciono a traição, não é o caso.
Como
qualquer ser humano.
O
ser ignorado, machuca.
É
preciso se recuperar, é
como uma lesão.
Fisioterapia,
aprender de novo.
Quando
caímos é preciso de um tempo.
Para
se levantar, encontrar o caminho e prosseguir.
É
preciso aprender com isso.
Nunca
subestimar as adversidades.
Assim
como as ondas do mar.
Pode
ocorrer de nos arrastar para o fundo.
Que
tudo nos sirva de lição.
Porque
da mesma forma que somos desprezados.
Podemos
fazer o mesmo com alguém.
Deixamos
o papel de vítima e somos culpados.
A
lição sempre é essa.
Antes
de fazer alguém chorar, chore primeiro.
Se
for entristecer alguém, se entristeça antes.
Se
for ferir, se machuque antecipadamente.
Antes
de falar pese as palavras.
Sinta
elas, se ferir e machucar, permaneça em silêncio.
Atitudes,
sempre se antecipe.
O
mal sempre deve ser evitado.
Se
puder estenda a mão.
Sempre
que possível elogie.
Motive,
de razões para as pessoas não desistirem.
Não
seja culpado das desistências.
Nem
se culpe por quem desistiu.
Escrever
é um privilégio.
A
inspiração algo sem explicação.
Mas
a sua presença é essencial.
A
base de sustentação.
O
motivo e a razão de prosseguirmos.
Agradeço-te
imensamente por isso.
A
você leitor minha eterna gratidão.
Se
acontecer de não ver mais.
Procure-me
nas palavras, me encontre nos poemas.
Quando
é preciso me escondo nos parágrafos.
Ando
em cima das linhas ou abaixo delas.
Meu
esconderijo perfeito é entrelinhas.
Nas
palavras de duplo sentido.
Deixo
minhas pegadas.
E
minha assinatura naquelas frases.
Que
é preciso deduzir ou interpretar.
(Claudio
Alves de Oliveira)
Por
dentro da poesia